Segurança nas Estradas – Roubo de Cargas Apesar de uma leve queda, os números ainda são altos e assustam
A segurança logística no Brasil permanece um desafio crítico, com o roubo de carga representando uma ameaça constante aos operadores e autônomos. Dados recentes revelam um cenário complexo, marcado por ocorrências frequentes, táticas criminosas muitas vezes sofisticadas e impactos significativos para a economia e a cadeia de abastecimento.
Entre janeiro e setembro de 2024, o Brasil registrou 7.244 casos de roubo de carga, o que equivale a uma média diária de 27 ocorrências nas rodovias do país. A informação é do SINESP (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública).
Ocorrências regionais
O estado de São Paulo lidera com 3.569 casos, seguido de perto pelo Rio de Janeiro, com 2.554 ocorrências, somando juntos impressionantes 84,5% do total nacional. Comparando com o mesmo período de 2023, houve uma ligeira redução: foram 8.941 eventos, o que representava cerca de 33 roubos por dia.
No âmbito regional, o Sudeste concentra a maior fatia dos prejuízos, com 80,6% no primeiro semestre de 2024. Dentre os estados dessa região, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais respondem por aproximadamente 81,4% dos prejuízos estimados. O Maranhão, por sua vez, registrou um expressivo crescimento nesse período: passou de apenas 0,4% em 2023 para 7,5% em 2024.
Atenção durante dia e noite
O comportamento dos criminosos reforça o perigo das estradas à noite: madrugadas e noites representam 58,9% dos prejuízos, sendo 31,1% na madrugada (alta de 11,1 pontos percentuais em relação a 2023) e 27,8% à noite (aumento de 4,7 pontos). No entanto, dados do primeiro trimestre de 2025 indicam que os roubos noturnos representaram 45,2% do total, quase o triplo dos 15,6% observados em 2023, segundo o jornal Estradão.
Quando se analisa o tipo de carga mais visada, cargas diversas ou fracionadas predominam, com 58,4% dos prejuízos, seguidas por alimentos (22,6%) e eletrônicos (9%), totalizando cerca de 81% dos prejuízos no primeiro semestre de 2024. Em termos de rotas, a rodovia BR-116 concentrou 19% dos prejuízos com essas cargas, comparado a apenas 6% em 2023.
Violência
Em termos de violência, o cenário é alarmante: em cerca de 9 em cada 10 roubos há uso de força física ou ameaça armada, demonstrando a brutalidade das quadrilhas. Elas empregam táticas cada vez mais sofisticadas, como bloqueadores de sinal “jammer” para driblar rastreadores, abordagens em locais isolados (postos, acostamentos) e até o uso estratégico de aplicativos de frete para atrair caminhoneiros.
Em meio à escalada dos crimes, há um raio de esperança: entre 2023 e 2024, as soluções tecnológicas de monitoramento e inteligência teriam reduzido o número de sinistros em 32%, além de permitir que as empresas recuperassem mais de 74% dos sinistros evitáveis, de acordo com a CNN Brasil.
O roubo de carga no Brasil permanece uma ameaça real e persistente, com padrões bem definidos, como a concentração geográfica no Sudeste e a vulnerabilidade durante a madrugada e à noite. Diante desse cenário, o investimento em tecnologia, prevenção e protocolos de segurança não é apenas recomendável, mas também estratégico. Hoje, essas medidas auxiliam na integridade das cargas, segurança dos motoristas e a continuidade das operações logísticas, minimizando custos e prejuízos ao setor e à sociedade.
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