Segurança nas Estradas: falta de manutenção em caminhões e ônibus coloca a segurança das estradas em xeque

 Segurança nas Estradas: falta de manutenção em caminhões e ônibus coloca a segurança das estradas em xeque

A combinação de veículos em más condições de conservação, transporte clandestino e infraestrutura rodoviária deficiente transforma-se em uma ameaça constante para a segurança viária no Brasil. Caminhões e ônibus sem manutenção adequada seguem circulando diariamente pelas rodovias, expondo motoristas profissionais, passageiros e toda a sociedade a riscos elevados.

Estradas precárias ampliam o problema

Conforme falamos na segunda matéria desta série sobre Segurança nas Estradas, as más condições das vias influenciam diretamente a falta de segurança nas estradas, mas não só nisso. O impacto também é sentido na conservação dos veículos.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), mais de 55% da malha rodoviária pavimentada apresenta pavimento classificado como “regular, ruim ou péssimo”. Outros 60% apresentam sinalização precária. Esses fatores, somados à condução de veículos pesados, aumentam significativamente a possibilidade de acidentes.

Além do risco de colisões, a má conservação das rodovias também impacta diretamente no consumo de combustível e no desgaste acelerado dos veículos, ampliando os custos para transportadoras e autônomos.

Fiscalizações revelam falhas graves

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) fiscalizou, em 2024, cerca de 1,67 milhão de veículos de carga e 79 mil ônibus. Destes, mais de 23 mil caminhões, 13 mil semirreboques e 1,2 mil ônibus foram recolhidos por problemas mecânicos ou documentação irregular. Em muitos casos, as falhas estavam relacionadas a sistemas vitais como os freios. Apenas em 2024, panes mecânicas provocaram 282 acidentes, com 266 feridos e 19 mortos.

As operações também têm flagrado veículos rodando com improvisos perigosos: fusíveis removidos para mascarar alertas no painel, freios com sistemas desativados e até reparos feitos com madeira ou arames.

Ônibus em más condições e transporte clandestino

No transporte de passageiros, o cenário não é diferente. Em Minas Gerais, por exemplo, só em 2024, foram registradas 305 ocorrências envolvendo ônibus com falhas mecânicas, um crescimento de 55% em relação a 2020. Muitos desses veículos pertencem a empresas de transporte clandestino, com frotas antigas e pouco investimento em manutenção.

A ausência de inspeção veicular obrigatória para todos os veículos também agrava o quadro. Trágicos exemplos mostram os impactos dessa negligência: em novembro de 2024, um ônibus escolar despencou de uma ribanceira em Minas Gerais após falha no sistema de freios, causando 20 mortes e 27 feridos.

Custo social e econômico

Além das vítimas, a negligência com a manutenção impacta diretamente o setor. Custos operacionais mais altos, tempo de parada, multas e perda de credibilidade afetam transportadoras e motoristas. Para especialistas, investir em manutenção preventiva e exigir maior rigor nas inspeções são passos fundamentais para reduzir acidentes e preservar a competitividade do transporte rodoviário no país

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