Segurança nas Estradas: quando o maior obstáculo é a própria rodovia

 Segurança nas Estradas: quando o maior obstáculo é a própria rodovia

Viajar de caminhão ou ônibus pelo Brasil é enfrentar diariamente um desafio que vai além do trânsito intenso ou das longas jornadas: a precariedade das rodovias. Buracos, sinalização deficiente e traçados inadequados transformam a rotina dos motoristas em um teste constante de paciência, habilidade e resistência. Mais do que desconforto, as más condições das vias elevam custos, atrasam entregas e colocam vidas em risco.

Estradas em números

A Pesquisa CNT de Rodovias 2024 mostra que 55,5 % da malha rodoviária pavimentada apresenta algum tipo de problema de conservação. Em termos de classificação geral, apenas 7,5 % estão em ótimo estado e 25,5 % em bom estado, enquanto cerca de 67 % estão em condições regular, ruim ou péssimo.

Entre os principais pontos críticos estão:

  • Pavimento: 22,2 % da malha com piso ruim ou péssimo.
  • Sinalização: apenas 36 % das vias em ótimo ou bom estado; 23,2 % ruins ou péssimas.
  • Geometria: 39,9 % das rodovias inadequadas para veículos pesados, como caminhões e ônibus.

A discrepância entre estradas públicas e concedidas também chama atenção: nas rodovias federais sob gestão pública, 77,3 % estão em condição regular ou pior; já nas vias concedidas à iniciativa privada, 63,1 % estão em ótimo ou bom estado.

Em corredores estratégicos como a BR-116 e a BR-101, onde o tráfego é intenso, a combinação de pistas estreitas e manutenção precária amplia o risco de acidentes graves.

O peso para quem vive da estrada

Cada quilômetro percorrido em más condições representa um custo adicional para motoristas e transportadoras:

  • Segurança: buracos mal sinalizados podem causar perda de controle, tombamentos e colisões.
  • Financeiro: pneus estourados, suspensão danificada e consumo elevado de combustível oneram caminhoneiros autônomos e empresas.
  • Operacional: atrasos em entregas geram multas contratuais e comprometem a competitividade.
  • Humano: o esforço redobrado para dirigir em pistas precárias aumenta o cansaço, o estresse e a chance de erro.

Em 2024, a CNT registrou 2.446 pontos críticos, como crateras, erosões e barreiras, número ainda alto mesmo com a redução de 7,6 % em relação ao ano anterior.

Prevenção: o que está ao alcance dos motoristas

Embora a solução definitiva dependa de investimentos públicos e privados, há medidas que podem ajudar a reduzir riscos:

  • Revisão frequente do veículo: pneus, suspensão, freios e iluminação em dia.
  • Velocidade controlada em trechos críticos e maior distância de segurança.
  • Planejamento de rotas com apoio de aplicativos e monitoramento colaborativo.
  • Registro de ocorrências junto a órgãos competentes, fortalecendo a cobrança por melhorias.
  • Uso de tecnologia embarcada para detectar irregularidades no pavimento e evitar danos maiores.

Investimentos ainda são urgentes

Programas de concessão trouxeram melhorias para parte da malha, mas a maior parte das estradas federais e estaduais segue sem manutenção adequada. Essa precariedade eleva em mais de 30% os custos logísticos, segundo a CNT, impactando não apenas transportadores, mas toda a economia nacional.

Enquanto os investimentos em infraestrutura seguem abaixo do necessário, caminhoneiros, motoristas de ônibus e frotistas permanecem como os principais guardiões da segurança nas estradas. Entre prudência, experiência e atenção constante, são eles que garantem que cargas e passageiros cheguem ao destino.

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